Ataques Informáticos Atingem Sistemas De Refrigeração Na Europa

Ataques Informáticos Atingem Sistemas De Refrigeração Na Europa

Ciberataques A Sistemas De Refrigeração Em Portugal E Europa

Uma vaga de ataques informáticos tem visado a infraestrutura de refrigeração de diversas cadeias de supermercados e estabelecimentos comerciais em múltiplos países da Europa. Em Portugal, a Polícia Judiciária e o Centro Nacional de Cibersegurança iniciaram investigações detalhadas após a confirmação de que sete lojas da rede Intermarché foram alvo destas incursões digitais. O ataque, detetado no início de novembro, focou-se especificamente nos sistemas de refrigeração das unidades afetadas, colocando em risco a conservação de produtos perecíveis.

O Grupo Mosqueteiros, responsável pela gestão da marca, emitiu um comunicado oficial confirmando a ocorrência do incidente informático. A organização assegurou que todos os procedimentos de resposta e mitigação foram acionados imediatamente após a deteção da anomalia nos sistemas. Segundo a empresa, a cadeia de abastecimento global não sofreu interrupções significativas e todas as condições necessárias de higiene e segurança alimentar foram rigorosamente mantidas para garantir a total proteção dos consumidores finais.

Impacto Operacional E Perdas Materiais

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição reportou que, até ao momento, apenas um dos seus associados confirmou a ocorrência de incidentes desta natureza no território nacional. No entanto, o impacto material foi significativo em algumas unidades específicas. Das sete lojas atingidas em Portugal, três registaram prejuízos diretos com a perda de produtos alimentares. Devido à quebra na cadeia de frio provocada pela falha técnica, as mercadorias comprometidas foram encaminhadas para a destruição, seguindo as normas sanitárias vigentes.

Este fenómeno não é um caso isolado e faz parte de um padrão de ataques que se espalhou rapidamente pelo continente europeu. Os primeiros registos ocorreram em França, durante o mês de outubro, onde a escala foi consideravelmente maior do que em Portugal. Naquele país, entre 150 e 200 lojas Intermarché foram impactadas, juntamente com cerca de cem pontos de venda das Coopératives U e algumas unidades da cadeia Leclerc. O método utilizado pelos piratas informáticos foi a ativação remota do degelo forçado das instalações frigoríficas, provocando a subida imediata da temperatura interna dos equipamentos.

Expansão Dos Ataques Por Outros Países Europeus

A Bélgica também reportou incidentes semelhantes no início de novembro. A cadeia Delhaize confirmou que aproximadamente 40 unidades foram afetadas por um incidente informático, enquanto a Carrefour Bélgica registou problemas em 15 lojas. Além destas grandes superfícies, foram detetadas alterações anómalas em unidades da rede Spar e numa cadeia de talhos na cidade de Antuérpia. Para mitigar as perdas, alguns estabelecimentos belgas tiveram de recorrer ao uso de camiões frigoríficos externos para preservar os alimentos que não podiam ser descartados.

Nos Países Baixos, a situação afetou pelo menos 17 empresas. A Danfoss, fornecedora de equipamentos de refrigeração, indicou que as vítimas foram predominantemente talhos e pequenas lojas de bairro. A empresa tinha emitido alertas preventivos em meados de outubro, recomendando que os clientes desligassem os sistemas da internet ou utilizassem apenas redes seguras para evitar acessos não autorizados. Um porta-voz da Danfoss afirmou que a maioria dos lojistas adotou as medidas de segurança, mas um grupo reduzido que ignorou as recomendações acabou por sofrer as consequências diretas dos ataques.

Além dos casos detalhados em Portugal, França, Bélgica e Países Baixos, foram registadas ocorrências semelhantes em outros Estados-membros da União Europeia. Luxemburgo, Suécia, Irlanda e Estónia também reportaram ataques a sistemas de refrigeração, evidenciando a vulnerabilidade de infraestruturas críticas de conservação alimentar perante ciberataques coordenados. A situação reforça a necessidade de maior vigilância sobre a conectividade de equipamentos industriais à rede pública, onde a falta de protocolos de segurança rigorosos permite que agentes externos manipulem funções básicas de operação, como o ciclo de degelo, resultando em perdas económicas e riscos sanitários consideráveis para o setor da distribuição alimentar.