Durigan Defende Ajuste Gradual E Critica Proposta De Juros

Gestão Fiscal E Debate Sobre Juros
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta terça-feira que o governo federal está focado em promover um ajuste gradual nas contas públicas. Durante suas declarações, o ministro enfatizou que as discussões internas visam conciliar a responsabilidade fiscal com os compromissos sociais assumidos durante a campanha, buscando a progressividade do sistema para beneficiar as camadas mais pobres da população. Durigan rebateu as preocupações do mercado financeiro, assegurando que não há pautas em discussão que justifiquem um sentimento de medo por parte dos investidores.
Ele esclareceu que o presidente tem mantido agendas exclusivamente com sua própria equipe econômica, incluindo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, para tratar de diagnósticos e propostas de melhoria das condições fiscais e de vida dos cidadãos. O ministro destacou que o desafio central será equilibrar a responsabilidade com as metas sociais, criticando propostas simplistas que surgem no debate público e reforçando que a trajetória adotada busca a estabilidade econômica sem comprometer a assistência aos necessitados.
Críticas À Proposta De André Lara Resende
Um dos pontos centrais da fala do ministro foi a análise da proposta apresentada pelo economista André Lara Resende. O economista, um dos formuladores do Plano Real, sugeriu em artigo a criação de um Conselho Fiscal e Monetário para coordenar as políticas do país, prevendo a redução gradual da taxa básica de juros para patamares entre 3% e 5,5% ao ano, após passar por 7,5% em doze meses. Para viabilizar isso, Lara Resende defende a adoção de um planejamento fiscal de longo prazo que permita a queda dos juros sem comprometer a trajetória da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Durigan foi enfático ao classificar a ideia como incipiente e repleta de deficiências. Segundo o ministro, a proposta foi colocada para debate público, mas não é um projeto a ser avaliado pelo governo no momento. Ele negou a existência de qualquer agenda marcada entre o presidente e Lara Resende, reforçando que a ideia de tabelamento ou limitação de juros não está na mesa de negociações da Fazenda. O ministro afirmou que sua equipe poderá conversar com o economista e outros especialistas, como já tem sido feito, mas que a proposta atual possui diversos problemas técnicos.
Mesmo com a crítica técnica, a proposta de Lara Resende encontrou apoio em setores do PT, como a deputada federal Gleisi Hoffmann, que defendeu a medida como forma de enfrentar o que chamou de ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira. No entanto, a equipe econômica do governo mantém a posição de que a trajetória fiscal deve ser conduzida com rigor e gradualismo, afastando a possibilidade de intervenções diretas nas taxas de juros.
Indicações Para O Banco Central E Tributação
Sobre a governança da autoridade monetária, Dario Durigan afirmou que ainda não discutiu novas indicações para o Banco Central com o presidente após a vitória eleitoral. Contudo, garantiu que as futuras nomeações seguirão critérios de rigor técnico e diversidade de perfis, mantendo a coerência com as escolhas feitas anteriormente. O ministro destacou que o objetivo é evitar o isolamento de integrantes atuais, como Gabriel Galípolo, assegurando que a competência técnica será a prioridade para convergir as políticas governamentais para a melhoria da vida das pessoas.
O cenário de indicações é complexo, pois o governo terá seis nomeações ao Banco Central até o fim do próximo ano. Além de duas diretorias desocupadas desde o início deste ano devido a dificuldades de negociação com o Senado, quatro novas vagas serão abertas em 2027, sendo duas em fevereiro e duas em dezembro. Durigan reiterou que não há mudança de perspectiva ou de critério para essas escolhas, buscando manter a aceitação tanto do mercado quanto da opinião pública.
No campo tributário, o ministro informou que se reunirá com o presidente para despachar uma medida provisória relativa ao Imposto Seletivo. A medida visa estabelecer as alíquotas do novo tributo, com a intenção de manter a carga tributária do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) ao longo de 2027 como parte de um processo de transição. Durigan mencionou que já existe um acordo com os setores afetados por essa mudança e que a medida provisória poderá ser enviada ao Congresso ainda nesta terça-feira.