Saúde Reforça Vacinação Contra Mpox No Rio De Janeiro

Saúde Reforça Vacinação Contra Mpox No Rio De Janeiro

Estratégia De Vacinação E Controle Epidemiológico

O Ministério da Saúde anunciou a decisão de reforçar os estoques de vacinas contra a mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, especificamente no estado do Rio de Janeiro. Esta medida surge como resposta ao aumento recente de notificações na região, visando não apenas o controle dos casos atuais, mas também a preparação para o final do ano, período caracterizado por uma maior circulação de pessoas.

Devido à disponibilidade limitada de doses em escala global, a aplicação do imunizante segue critérios rigorosos de priorização. A vacinação é destinada a públicos com maior risco de exposição ou de agravamento do quadro clínico. Entre os grupos prioritários estão profissionais de laboratório que manipulam Orthopoxvírus, pessoas vivendo com HIV/Aids que apresentam imunossupressão e indivíduos que tiveram contato direto de risco médio ou alto com casos suspeitos ou confirmados, após a devida avaliação da vigilância em saúde. Em situações de sobra de doses, a imunização pode ser estendida a usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).

O esquema vacinal consiste na aplicação de duas doses, com um intervalo de 28 dias entre elas. O governo federal ressalta que o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém a capacidade de diagnosticar, tratar e monitorar a doença, mantendo uma vigilância ativa em coordenação com estados e municípios.

Panorama Dos Casos No Brasil E No Rio

Em âmbito nacional, o Brasil registrou 665 notificações de mpox até outubro deste ano. Desse total, 218 casos ocorreram no estado do Rio de Janeiro, representando mais de um terço das infecções no país. Apesar do alerta local, os números nacionais indicam uma tendência de queda significativa em comparação a 2022, ano da disseminação global do vírus, quando foram notificados 10.821 casos no país — uma redução de 94%.

No estado do Rio de Janeiro, a situação apresenta nuances distintas. Os dados epidemiológicos indicam que o número de casos confirmados subiu para 269 em 2026, o que representa um aumento de 126% em relação aos 119 registros do ano anterior. Na capital fluminense, a Secretaria Municipal de Saúde reportou 55 casos apenas em outubro, o maior volume mensal desde outubro de 2022. Em setembro, haviam sido confirmados 47 casos, um salto expressivo comparado às 13 infecções de agosto.

Embora a Secretaria Municipal de Saúde reconheça a elevação da curva em setembro, a pasta afirma que os registros atuais permanecem dentro da oscilação esperada desde a introdução da doença. A autoridade lembra que, no auge do surto em 2022, a cidade chegou a registrar 351 casos em um único mês, sugerindo que o cenário epidemiológico atual é diferente.

Entendendo A Mpox E As Medidas De Prevenção

A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. Originalmente uma zoonose que circulava entre animais na África, a doença adaptou-se e passou a se disseminar de forma sustentada entre seres humanos. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões cutâneas, secreções corporais, objetos contaminados ou contato prolongado com secreções respiratórias.

Os sintomas comuns incluem erupções cutâneas, febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios, fraqueza e adenomegalia (linfonodos inchados). As lesões podem surgir no rosto, mãos, pés, boca e genitais, evoluindo de bolhas com líquido para crostas que secam e caem. O período de incubação varia geralmente entre 3 e 16 dias, podendo chegar a 21 dias.

Como não existe um tratamento específico aprovado, o manejo clínico foca no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações. A principal forma de prevenção, além da vacina para grupos elegíveis, é evitar o contato direto com pessoas infectadas. Recomenda-se a higienização frequente das mãos, a desinfecção de superfícies, a não partilha de objetos pessoais e o isolamento rigoroso até o fim do período de transmissão.